Como funciona a restituição do IR
A restituição do Imposto de Renda é o resultado do ajuste anual: a Receita Federal recalcula quanto de imposto você realmente devia pagar no ano, considerando sua renda total e todas as deduções legais comprovadas. Se o que foi retido na fonte (mês a mês, na folha) foi maior do que o devido, você recebe a diferença de volta. Se foi menor, tem imposto a pagar.
O cálculo anual usa a tabela progressiva anual — que corresponde simplesmente à tabela mensal multiplicada por 12. Em 2026, a isenção anual efetiva passa para R$ 60.000 (12 × R$ 5.000) por conta da Lei 15.270/2025.
Simplificada vs. completa — qual rende mais restituição?
A declaração simplificada aplica um desconto padrão de 20% sobre os rendimentos tributáveis (limitado a R$ 16.754,34 em 2026). Não precisa comprovar nada. É rápida e funciona bem para quem tem poucas deduções.
A declaração completa permite deduzir despesas reais: dependentes (R$ 2.275,08/ano cada), despesas médicas (sem limite), educação (R$ 3.561,50/pessoa), previdência PGBL (até 12% da renda) e pensão alimentícia judicial (sem limite).
Vale a pena a completa quando suas deduções reais comprovadas ultrapassam o desconto padrão da simplificada. Regra prática: família com plano de saúde, escola particular e 2 dependentes quase sempre se beneficia da completa. O simulador acima compara as duas automaticamente e escolhe a melhor.
Quando você recebe a restituição
A Receita Federal paga a restituição em lotes mensais, tipicamente de maio a setembro. A ordem de prioridade legal é:
- Idosos (a partir de 60 anos)
- Pessoas com doença grave ou deficiência
- Professores (como principal fonte de renda)
- Quem usou a declaração pré-preenchida e optou por receber via PIX
- Demais contribuintes, pela ordem de entrega da declaração
Quem declara no primeiro dia do prazo tipicamente recebe no primeiro lote. Quem deixa para a última semana pode cair no último lote ou até no ano seguinte.
Como maximizar sua restituição
- Guarde todos os recibos médicos. Despesas com consultas, exames, planos de saúde, dentista, psicólogo e medicamentos prescritos (quando integrados ao plano) não têm teto de dedução.
- Informe todos os dependentes. Cônjuge, filhos até 21 anos (ou 24 se universitários), pais com renda baixa, e outras figuras elegíveis. Cada um reduz R$ 2.275,08 da base anual.
- Aporte em PGBL antes do fim do ano. Contribuições em previdência PGBL até 12% da renda bruta anual são dedutíveis e podem gerar restituição de até 27,5% do valor aportado.
- Organize comprovantes de educação. Mensalidades de escola, faculdade, cursos técnicos e de pós-graduação entram até o limite de R$ 3.561,50 por pessoa. Cursos livres, idiomas e pré-vestibular não entram.
- Declare corretamente a pensão. Pensão alimentícia judicial é dedutível sem limite, mas precisa estar formalizada em acordo ou sentença — pensões informais não contam.
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Calendário de restituição IR 2026 — datas dos 5 lotes
A Receita Federal paga a restituição em 5 lotes mensais entre maio e setembro. Abaixo o cronograma previsto para 2026 (baseado no padrão histórico dos últimos anos — a Receita costuma publicar o calendário oficial em março/2026):
| Lote | Data prevista | Perfil típico |
| 1º lote | 29 de maio de 2026 | Idosos acima de 80 anos, declarações pré-preenchidas + PIX entregues cedo |
| 2º lote | 30 de junho de 2026 | Idosos 60–80 anos, pessoas com doença grave, professores |
| 3º lote | 31 de julho de 2026 | Pré-preenchida + PIX (não prioritários) |
| 4º lote | 31 de agosto de 2026 | Declaração entregue nas 3 primeiras semanas do prazo |
| 5º lote | 30 de setembro de 2026 | Declarações entregues perto do prazo final + sem pré-preenchida |
Datas sujeitas à publicação oficial da Receita Federal. O valor é creditado diretamente na conta bancária ou chave PIX informada na declaração.
Caí na malha fina — e agora?
"Malha fina" é o nome informal da análise manual que a Receita faz quando detecta inconsistências entre os dados da sua declaração e os informes que ela recebe dos pagadores, bancos, planos de saúde, imobiliárias e outros. Não é necessariamente fraude — na maioria dos casos é erro de digitação ou esquecimento.
Principais motivos que levam à malha fina
- Rendimentos omitidos — você esqueceu de declarar um emprego, estágio, aluguel recebido, pró-labore, rendimento de aplicações ou trabalho como autônomo. A Receita já tem os informes dos pagadores.
- Despesas médicas incorretas — valor declarado maior que o recibo emitido, prestador não cadastrado, ou uso de despesa de terceiro não-dependente.
- Dependentes indevidos — o mesmo dependente aparece na declaração de mais de uma pessoa (ex.: filho informado por pai e mãe separados).
- Pensão alimentícia sem documentação — valor declarado sem acordo judicial ou sem escritura pública.
- Divergência no CPF do dependente — CPF com erro de dígito ou de pessoa.
Como descobrir se você caiu na malha
Entre no portal e-CAC da Receita Federal com conta gov.br nível prata ou ouro, acesse "Minhas Declarações de IRPF" e veja o status da sua. Se aparecer "Em análise", "Com pendências" ou "Retida em malha", você caiu. O sistema indica qual é a pendência.
Como sair da malha fina
Duas estratégias, dependendo do caso:
- Declaração retificadora — corrija o erro apontado via Receitanet e entregue nova declaração. Se a declaração original foi entregue no prazo, a retificadora mantém a ordem na fila de restituição (do momento da entrega original). Se foi entregue fora do prazo, paga multa mínima de R$ 165,74.
- Aguardar intimação — se você acredita que a declaração está correta e foi a Receita que errou, aguarde a intimação e responda com documentos comprobatórios via e-CAC. Prazo de resposta costuma ser 30 dias.
Prazo de guarda de documentos
A Receita pode pedir comprovação de deduções por até 5 anos após a declaração. Guarde, nesse período: recibos médicos com CPF/CNPJ do prestador, boletos pagos de plano de saúde, mensalidades escolares, termo de pensão alimentícia judicial, CPF de dependentes, extratos de previdência privada.
Como estimar se você recebe restituição antes de declarar
Três pistas rápidas para antecipar o resultado da declaração, sem precisar simular:
- Você teve muitas despesas médicas ou educação em 2025/2026? Se a soma dessas despesas for maior que R$ 16.754 (teto da simplificada em 2026) ou R$ 17.640 (limite padrão pela lei), faz a completa e provavelmente restitui.
- Você paga pensão alimentícia judicial? A dedução é integral e quase sempre gera restituição, porque reduz a base de cálculo anual substancialmente.
- Você mudou de emprego ao longo do ano? Há boa chance de o IRRF retido por múltiplas fontes ter sido maior do que o imposto devido consolidado — a declaração é o único jeito de reaver.
Dicas finais para acelerar sua restituição
- Declare cedo. Entrega em março ou primeira quinzena de abril = maior chance de cair nos primeiros 2 lotes.
- Use a pré-preenchida + opte por PIX. Essa combinação entrou na prioridade legal a partir de 2023 e eleva sua posição na fila.
- Confira dados bancários antes de enviar. Conta errada faz a Receita tentar 3 vezes e depois devolver ao banco — atraso de até 4 meses.
- Evite valores redondos em despesas médicas. R$ 1.000,00 exato e repetido chama atenção do sistema de cruzamento. Use valores reais com centavos.
- Declare 100% dos rendimentos, mesmo os pequenos. Freelances, aluguéis de temporada, rendimentos de ações, juros de poupança — tudo entra. Omitir qualquer coisa quase sempre gera malha.